Vivência em música com bebês: Entrevista com Tânia Grimberg


Postado por: Luísa Alves - 15. ago 2015

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Tânia Grinberg é mais um daqueles exemplos de mãe que ressignificou a própria vida após a chegada de um filho. A nossa primeira entrevistada já é bem conhecida entre as mães participantes de grupos de apoio e vivências. O êxito com as oficinas de musicalização com mães e bebês é resultado da relação construída com a filha Emília, quando ainda estava na barriga, há quase 5 anos.

O começo de tudo

Os encontros de hoje, os quais levam o nome “Minha mãe canta para mim na barriga e eu gosto”, são fruto de suas gravações diárias com músicas que ela mesma inventava para cantar à Emília. E a coisa foi evoluindo. “Quando ela nasceu, eu cantei ainda mais e criei várias músicas e as gravava. Com letra e sem letra, sons, mantras, vibrações…”. Ao mesmo tempo a cantora foi percebendo que, muitas das músicas, principalmente as inventadas durante a gravidez e os primeiros meses de vida da filha marcaram tais momentos para sempre. “Eu gravava o que inventava e, quando ouço, lembro da posição em que ela estava no meu colo, a sensação que tive quando ela adormeceu com a música, como eu estava no espaço, onde etc. Além disso, eu fui ensinando estas canções inventadas para ela, e hoje, cantamos juntas! Acho isso muito poderoso, forte e lindo. Chamo este processo de “fotografia sonora”. Sim, ao cantarmos juntos com nossos filhos crescendo, vamos criando “fotografias sonoras” dos nossos momentos.” Lindo depoimento!

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Nos primeiros meses de Emília, Tânia participava do Espaço para Bebê da Hebraica e foi lá que surgiu a ideia, dialogando com outros pais e mães e compartilhando suas vivências. Aos poucos a coisa foi tomando forma fazendo com que o criar e vivenciar esta oficina fosse uma experiência artística.

Nossas mães cantam e a gente adora!

As canções das vivências são resultado de pesquisa contínua e escolhas dela. A alma está também na improvisação das mães a cada encontro, inspiradas em seus bebês e neste precioso e intenso momento que está sendo vivido. “Saudamos os ancestrais trazendo ao presente canções muito antigas que atravessam gerações. Eu peço às mães canções de suas próprias infâncias. Adoro quando vêm as avós e os avôs também!”

Quando pergunto sobre que tipo de canção é a mais indicada para bebês ela responde: não existe música de criança e música de adulto. Se a música for boa para o adulto será boa para a criança… Eu só coloco para minha filha ouvir músicas infantis que eu também goste de ouvir. Procuro músicas com sutilezas, com silêncios, com surpresas. E divido com ela tudo que eu gosto de ouvir, tudo.” E olha o quanto a música pode se tornar um elo poderoso de diálogo com os filhos desde sempre: “Falo o nome dos cantores e compositores; brincamos de perceber quantas vozes estão cantando, se são meninas ou meninos e quantos são, quais instrumentos conseguimos ouvir etc. E, na maioria das vezes, só escutamos e cantamos muito. Faz parte do nosso dia-a-dia, principalmente no carro (em São Paulo vivemos muito no carro, né?).

Tânia acaba acompanhando o crescimento de alguns bebês já que há mães que começam a vir com eles bem pequenininhos (2, 3 meses), e logo eles “despertam” e começam a “prestar atenção” e a se interessar pelo que está acontecendo ao redor. A maioria das mães vai se apropriando das canções, e acaba comentando que “ele só dorme com esta música” ou: “no carro, ele se acalma quando canto tal canção da aula, e tenho que ficar cantando sem parar, se não ele reclama!”

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Esse trabalho tão especial reforça vínculos fudamentais já que a música “acalma, instiga e conecta”, como diz Tânia. Mesmo se o bebê não for recém nascido e surgiu muita curiosidade para conhecer o projeto, curta a página no Face e não deixe de proporcionar essa experiência pra lá de amorosa para vocês dois. Eu participei (sou aquela bem séria com a bebê dormindo ali na foto! Heheh) posso dizer que me fez conectar ainda mais com a Aurora!

E se você quer sugerir ou conhecer pessoas ou temas de seu interesse para conhecer mais de perto, fique à vontade para enviar um e-mail! Nosso blog está à disposição dos leitores engajados e participativos, que gostam de ver coisa boa por aí!

Sobre Luísa Alves

Gaúcha que ama São Paulo e mora a cerca de 4 anos na capital. É mãe da Aurora e trabalha, além da maternidade, com mídias sociais.