A importância dos livros para os bebês


Postado por: Luísa Alves - 21. jun 2016

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Quem atua na área de literatura infantil tem percebido um bom crescimento do segmento de mercado dedicado a livros para bebês. Com a percepção da primeira infância como algo a ser valorizado, as atenções têm se voltado a estimular de forma saudável os bebezinhos para prepará-los para o futuro desempenho escolar das crianças. É bom lembrar que a importância desta prática não deve corresponder apenas à “angústia escolar” que podem sentir alguns pais preocupados, desde muito cedo, com o processo de alfabetização e com o desempenho escolar, como define bem Evélio Cabrejo-Parra, especialista em literatura na primeira infância.

Leitura como necessidade básica
Basta entender que a leitura na primeira infância é uma das necessidades básicas fundamentais que deve ser suprida, mesmo antes do nascimento, e corresponde a uma já comprovada competência deste ser em formação.  Para os bebês a leitura de livros é entendida como alimento, como matéria-prima para suas necessidades psíquicas que, como todas as demais necessidades básicas, devem ser cuidadas, sejam elas físicas ou emocionais. Além disso, a importância da palavra, a importância da voz materna (que tem na leitura uma de suas formas de transmissão) desde o período de gestação e durante os primeiros meses de vida, desempenham um papel determinante na formação na primeira infância.

Tradição oral pela amorosidade
A palavra é a porta de entrada para uma dada cultura, ela introduz a linguagem, ela educa para uma determinada musicalidade e para um ritmo específico que vai marcar e acompanhar por toda a vida essa criança. É por isso que, em todas as culturas, há cantigas de ninar, contos populares, acalantos, contos da tradição oral que passam de geração para geração e conduzem, transmitem e preservam, como por um fio, uma dada cultura e suas tradições. São, sem dúvida, estes os mais antigos e poderosos relatos e “leituras” que reforçam e alimentam os laços de afeto e a estrutura psíquica e emocional dos pequenos seres em formação. Daí, a força e o legado da tradição oral e da importância de recuperar as velhas práticas, a sabedoria das cantigas e dos contos populares perdidos na estrutura familiar da contemporaneidade.

Não há receita
Na hora de pensar em livros para a primeira infância é legal pensar na forma de narrar as histórias, de forma carinhosa com formato de conversa, de acarinhamento com o bebê, além da musicalidade, de brincadeira, de narração, da leitura compartilhada que permite novas e sofisticadas experiências com a linguagem. Aqui vale a sensibilidade e o repertório do adulto pela sua bagagem cultural e sua relação com o bebê, acima de tudo.  Amor, cumplicidade e familiaridade são os sentimentos que alimentam, perpassam e se constroem nesta relação mediada pelas palavras.

Segundo, é o processo de familiarização da criança com o livro enquanto objeto. Mais uma vez, não há receita. Qualquer história pode ser contada e compartilhada. E aí entra o seu papel e sua capacidade de escolher, adaptar, explicar, contar, inventar. Quanto mais rica for a história leitora e o repertório desse adulto, mais desembaraço, segurança e criatividade ele terá na escolha, transmissão e no contato mediado pela palavra com o bebê.

Pelo vínculo, pelo interesse por histórias e por compartilhar um tempo tão bom junto, vale a pena incorporar o objeto livro ao mundo cotidiano dos bebês.


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Sobre Luísa Alves

Gaúcha que ama São Paulo e mora a cerca de 4 anos na capital. É mãe da Aurora e trabalha, além da maternidade, com mídias sociais.